(…)
Também tenho febre e escrevo.
O meu diário cheira a novo
De páginas velhas, há anos à espera
De ser estriado aos poucos.
Foram uns instantes, é frustrante
Tentar contar com o que me influencia a mente
Sabendo que nunca o fiz antes.
Cabelo despenteado.
Uma mente genialmente estragada
Num corpo atarracado.
Genuinamente falso porque quero ser feliz,
Obrigo-me a ser outro para que gostem mais de mim.
Talvez seja mentira, mas escrevo.
Pelo sim ou pelo não talvez um dia perca o medo.
Sempre foi o meu segredo, mas nunca o escondi,
Sempre fiz com que nunca me entendessem
Porque nunca disso isto assim.
Eu nunca quis ser assim…
Sempre foi mais fácil dizer de forma
Confiante que tinha defeitos e respondiam
"Mas, quem não os tem?".
Ser o primeiro a confidenciar
Com aquele ar desinibido de alto controlo,
Fica sempre bem.
talvez um dia eu perca o medo...
Seada