07 março, 2011

Santo dia


Enquanto me desfazes no cinzeiro do teu ser,
Eu acordo, lavo a cara, olho-me ao espelho e saio.
No caminho da minha vida,
Deixo cair uma lágrima,
Suave, fresca e sincera.

Queria sentir-te enquanto dormias.
Queria saber distinguir-te por entre a mágoa e a dor.

Hoje sou só eu.
Sem fábulas espantosas como outrora.
Com uma mente brilhante presa a uma alma estragada,
Deitada num qualquer cinzeiro público.
Esquecida, estropiada e novamente esquecida.

Sou um homem que chora baixinho.
Sou um sentimento disperso.
Sou uma caixa de música bonita oferecida no dia dos namorados.
Sou uma data qualquer.
Sou o mundo todo e, por isso, não sou nada.

A minha dor é desprezível
Como um produto caríssimo no supermercado.
A minha dor é melancólica
Como uma canção de Yann Tiersen num deserto.
A minha dor é velha
Como o vinho que o meu pai guardava em casa.

Faço parte de tudo o que ouves,
Faço parte de tudo o que sentes,
Faço parte de tudo o que dizes
Sem pertencer a nada mais que aquilo que é meu,
E por isso não faço parte de ti.

Sinto-me tão baixo que até toda esta escrita me mete tédio,
Escrita que deveria fazer-me bem, não espelhar o tédio desta situação.
Sinto-me como um copo partido,
Caído num qualquer mata-sede,
Caído pelas tuas mãos.

Hoje trago o tédio no bolso da camisa que me ofereceste
E vou matando-o como um cigarro.
Vou fumando-o.
Fumando-o e desfazendo-o no mesmo cinzeiro público,
Onde despejaste o meu ser e todas as palmas que te dava.
Vou fumando-o enquanto houver para fumar
Ou enquanto o divino me der vida para continuar a fazê-lo.

Vou fazendo isto tudo com um toque pessoal.

Amanhã acordo, lavo a cara, olho-me ao espelho e saio.
E continuarei a fazer o mesmo, todos os dias.


Porque não sei fazer outra coisa
E sinto-te demasiado para conseguir deixar de te sentir.

“Respondi às perguntas e às dúvidas com o tempo, ninguém me explicou o que passei, ninguém percebeu, acho, tenho a certeza que o meu pai ainda espera que um dia chegue a casa com uma mulher como tu pela mão, numa obrigação de filho, obediente, como quando lhe mostrava os deveres da escola depois de jantar.” (…)

15 comentários:

  1. Hoje e amanhã a dor vai continuar, até ao dia em que tires essa metástase de ti! Ela lá anda...

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  2. Sem nexo é a lágrima pingada pelo copo partido às mãos da dor velha

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  3. Devo-te alguma coisa, querida(o) anónima(o)?
    Ou melhor, falta-te alguma coisa?

    A minha vida basta-me a mim mesmo, não percebo o porquê de vir um(a) anónimo(a) "fofinho(a)" pedir satisfações da vida alheia.

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  4. Não me deves nada amor, não te preocupes. Tenho o quero e sou feliz ^-^
    E claro que a tua vida só te basta a ti! Não te peço nada, pois nada tens para dar

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  5. http://2.bp.blogspot.com/_LQlmg8uEWrs/Sw1Wk8EHTII/AAAAAAAACHw/YOhE7wJNqR4/s1600/dor_de_corno.jpg

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  6. não é oi! é muuuuuuuuuuuuuuuuuu

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  7. Caso para dizer, viva a internet e viva a tua ingorância...
    Só te deve faltar mesmo os óculos e as marcras da puberdade no rosto para seres mesmo feliz, não?

    Sai à rua e arranja uma vida...

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  8. loool! eu vejo bem, os óculos a mim não me fazem falta...(ignorância? :p)
    verdade verdade, há quem vá à rua à procura de vida... mas não sou eu...

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  9. sou triste meu amor?
    triste é ser crente de uma descrença, querer num iô-iô...

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  10. Ora, vamos lá ser um bocado mal-criados...
    Que tens tu a ver com a minha vida?
    És um fraco que por aí anda, com tanta fraqueza interior que vem buscar o "sentir mal" dos outros para se sentir bem consigo mesmo.
    És um renegado agarrado ao anonimato (como se eu não soubesse quem és) em busca de respostas às perguntas que carregas. É triste, é muito triste ser-se assim e andar carregado de dor, mas que tenho eu a ver com isso?
    Arranja lá um identidade. Já chega de te esconderes e ferires os outros que nada têm a ver com a tua resignação.

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  11. Tu es sem duvida um gajo diferente dos outros !!

    E curto a tua maneira de responder ...

    Rita

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